sábado, 20 de setembro de 2014








Monólogo da árvore


Ivone Boechat

Fui gerada no útero de uma pequenina semente.
Vim ao mundo com a missão de preservar a vida coletiva!
Minha família é muito grande: todos os seres que
habitam o Planeta.
Como todo ser vivo, respiro, sinto e percebo fluidos ao meu redor.
Preciso de oxigênio e de muito amor para oferecer abrigo e conforto à Natureza.
Meu crescimento vai depender da espécie,
 da região, do tamanho do
espaço onde me plantarem, do respeito.
Busco desesperada pela luz do sol,
me entorto, me estico se precisar,
passo por cima de tudo para sobreviver.
Quantas vezes você me corta,
porque estou feia, gorda, velha, incomodando...
não estou produzindo. Você cuida de mim?
Tudo é desculpa para me derrubar...
As árvores são discriminadas! Aquelas floridas,
perfumadas, altaneiras são mais cortejadas.
Lembre-se de que todos precisam de mim...ah! os passarinhos precisam
das árvores, porque ali habitam, cantam, seduzem,
fazem os ninhos.
Ajude a lutar por mim.

Cada árvore que se corta é um atentado à própria vida.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014


A revolução das flores

Num vale florido, o perfume envolvia as abelhas que trabalhavam, com muito entusiasmo, compondo um belo cenário com borboletas e beija-flores felizes.
Corria por ali a notícia que homens armados contra a Natureza estavam chegando.
Ali, nesse paraíso, as flores estavam tristes e foram procurar as árvores mais velhas. Convocaram a ousadia da espada de são jorge, a coragem de comigoninguémpode, os espinhos da coroadecristo e partiram determinadas.
Debaixo de uma frondosa árvore, pediram um conselho: o que fazer para convencer ao homem que gosta de destruir a vida, para que se arrependa e comece a reconstruir e a preservar... Aquela senhora árvore centenária, com mil folhas de serviços prestados, pelos muitos outonos da vida, indignada, desabafou:
- A nossa expectativa de vida pode chegar a centenas de anos de vida útil, sem esclerose, osteoporose, lordose... que tanto afligem os humanos. O maior perigo que enfrentamos é a serra elétrica, o machado, o fogo.
A rosa concordou e acrescentou:
- O maior perigo de todos é o homem sem educação.
Então as flores deram-se as mãos e decidiram propor que todo homem destruidor e vil fosse educado, desde menino, para plantar o amor-perfeito em volta as casas, das escolas, das empresas, das igrejas...Quanto mais cedo a criança aprender a amar o planeta Terra, maior é a chance de começar a prevenir e a preservar a Natureza.
Aí, animação geral! Veio o copo de leite e se ofereceu, sem contaminação, puro e fresquinho. Boca de lobo prometeu pensar melhor antes de criticar por criticar. Hortência preferiu plantar-se melhor para não ficar por aí, sem se cuidar, desbotada e feia. A dama da noite, tão sumida ultimamente, disse que a noite é uma criança e quer voltar a marcar presença, perfumando o ambiente.

A noite foi chegando e as flores se recolheram com a promessa de juntar-se aos homens não só nas horas tristes e dolorosas da coroa de rosas.  Elas querem voltar com todo o esplendor e formosura, espalhando graça e perfume na vida, mas não se negaram a de espetar os fiéis destruidores. 

O paraíso
 
Ivone Boechat

No estágio que o homem fez, sozinho, nos primeiros passos que deu na terra, começou a ficar triste. 
Acompanhando, supervisionando, Deus viu que “Não era bom” o homem ficar só e prometeu: “Far-lhe-ei uma adjutora...”
A mulher chegou, olhou para o jardim, deu nome às flores, levantou a cabeça, admirou o céu, o pôr-do–sol era tão lindo, deslumbrou-se com os animais ao redor, viu que tudo era bom e que, dali pra frente, ia depender deles para ficar ainda melhor, começou a arrumar a casa: o paraíso. Eva inventou a faxina:
-  Adão, vamos colocar folhas, gravetos, pedras e cotocos no seu devido lugar.
-  O que Eva? Ninguém aqui desarrumou nada. A Natureza é assim mesmo, quando vem a tempestade  o vento desarruma tudo, depois vem a brisa e põe tudo de novo no devido  lugar.
-  Concordo, meu bem, mas podemos melhorar!
Eva criou a linguagem afetiva para chamar Adão de desorganizado!
- Adão, vamos selecionar folhas para fazer a cama, tirar as que atrapalham nosso trânsito, descobrir frutas mais variadas para o lanche e guardar algumas para o jantar. Vamos determinar horários para a alimentação.
Eva inventou o horário do café da manhã, do almoço e do jantar.
Em pouco tempo, Adão e Eva estavam ao telefone com o inimigo, num bate-papo sobre as novidades do Jardim. E assim nasceu o telefone celular público, no orelhão dos dois. E, claro, com tanto tempo ocioso, o inimigo criou o “jornalismo da fofoca”. Nascia a era zoológica das comunicações. A serpente estava no ar.
O telefone celular divino entrou na área e as comunicações celestiais com o casal se intensificaram, mas o homem, como sempre, por tudo o que não deu certo botou a culpa na mulher, lá também não foi diferente. Adão inventou o jogo-de-empurra.
Acontece que Deus, cuidadoso, perfeito e grandioso, fazia visitas virtuais, diárias, ao Jardim e percebeu que havia a tv a cabo da serpente, interferindo na sua obra. Do seu telefone celular, com viva voz, advertiu e digitou:
- Adão, onde estás?
Não era a voz de Deus que estava fora da área. Adão e Eva já estavam na área da desobediência, na tv a cabo do pecado, área do mal.
Adão pediu para Eva atender ao telefone. Adão criou a secretária.
O tempo foi passando e o vírus da inveja contaminou o computador humano, porque a família deu a senha do site para o maior inimigo de Deus. O pecado entrou, alterou o programa original, apesar de todas as advertências, a criatura desligou-se do Criador (Provedor). Ambos, homem e mulher, criaram a desobediência.
Imediatamente, Deus novamente atuou. Deixou o e-mail do céu para contatos: fé@graça.comJesus  e o 0800  livre para as orações.
A primeira família do mundo foi expulsa do jardim. Nasceu o movimento dos sem-terra.
Vieram as lutas, as concorrências, a propriedade privada e com ela a cerca viva. Nasceu a guerra e com ela os matadores profissionais. Aí vieram os perdedores com etiqueta social de escravos. O proletariado chegou! E com tudo isto, mesmo sendo a Terra tão grande, havia gente sofrendo pela má administração das  cavernas , das comidas.  A pobreza se instalou.
A sociedade inventou a violência.
Nunca o mundo foi habitado por anjinhos. A humanidade está em guerra, desde o início. Hoje, o mundo está mais perto com o recurso da informação. Isto impressiona? Sim! E as pessoas “modernas” ficam horrorizadas, porque são capazes de selecionar tudo de ruim que existe e mostrar de forma competente e veloz as coisas tristes que sempre fizeram exatamente igual.

Nasceu a tecnologia. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014