sexta-feira, 22 de agosto de 2014


A sustentabilidade humana
 Ivone Boechat


O homem busca, em desespero, mas antes tarde do que nunca, a preservação do que sobrou neste Planeta. Não é impossível, até porque atitudes simples têm o poder de mudar o rumo de coisas importantes. Mas eis o impasse: por que não se começa a educar para o equilíbrio da ecologia humana? Quanto custa o esforço por um abraço, um sorriso, pela manifestação de afeto, pela demonstração do perdão?
A Escola gasta quase todo o tempo destinado a ela resolvendo equações de primeiro e segundo graus e a criança vive refém dos deveres de casa. Professores desesperados ensinam anos e anos a encontrar o valor de X e o jovem sai, na maioria das vezes, sem encontrar o valor dele mesmo. Dirão muitos que a concorrência exige tudo isso na preparação para a corrida desenfreada ao mercado de trabalho: passar nos concursos, nos vestibulares e arranjar emprego, porque geralmente só passa quem sabe mais equação e rebincoca da parafuseta.
A educação tem os recursos pedagógicos para orientar a humanidade, ajudando a transformar conceitos em atitudes. É possível mudar comportamentos. Quem falhou? Ao invés de se ensinar só teorias, conteúdos, doutrinas, por que não se ensinam valores? Fé, amor, paz, união, misericórdia, fraternidade, solidariedade, preservação? Ensinar ao homem a ser bom é também um grande desafio à educação. Todas as guerras do Planeta têm origem nas doutrinas.
Quando o homem reflorestar as ideias, podar os galhos secos da ira, regar suas raízes no manancial da fé, vai colher os frutos de um mundo oxigenado de amor. O homem equilibrado vai equilibrar o Planeta!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

domingo, 17 de agosto de 2014











    Foi por inveja que a primeira família que se tem notícia foi parar na manchete policial do Éden. É um poderoso vírus que desarmoniza o cérebro e o homem pode perder o rumo de sua história, se não aprender a usar, desde muito cedo, o antivírus da educação. Na coleção de ensinamentos do livro da sabedoria, em Provérbios 14:30, há uma advertência: “O sentimento sadio é vida para o corpo, mas a inveja é podridão para os ossos”. Os ossos do invejoso não são resistentes. O invejoso não pára em pé, tropeça o tempo todo no sucesso dos outros!
Segundo o dicionário Aurélio, “A inveja é o desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio”.
Como educar para administrar a inveja? A inveja atua no ramo das paixões. As paixões desnorteiam. Segundo Crabb “O ciúme teme perder o que possui; a inveja sofre ao ver o outro possuir o que quer para si”. a psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960) diz que “As origens da inveja derivam da agressão constitucional”. O ser humano traz no seu kit de sobrevivência fatores de enfraquecimento da self. São os chamados pontos fracos. É preciso aprender a administrá-los. Klein diferenciou inveja, ganância e ciúme como manifestações do instinto agressivo.
A ciência descobriu que há um lugar no cérebro onde atua a inveja. Pela primeira vez uma pesquisa científica mostrou onde ela e o shadenfreude – palavra alemã que dá nome ao sentimento de prazer que o invejoso experimenta ao presenciar o infortúnio do invejado – são processados na mente humana.
Então, quanto mais cedo se educar, melhores poderão ser os resultados. A criança chega à escola, quase um bebê, e ai da humanidade que não tem uma escola que educa: aquela que só ensina a procurar o valor de X. As músicas, as histórias e as atividades lúdicas abrem espaço para aulas admiráveis sobre a arte de viver. É só planejar. Mãos à obra!
     
A inveja provoca a cegueira e desperta a ganância. Conta-se que um dia a inveja e a ganância passeavam de mãos dadas. De repente, tropeçaram numa lâmpada maravilhosa e de lá saiu um gênio. Ele foi logo perguntando:
- Quem são vocês?
A inveja bateu no peito e disse:
- Sou a inveja. Estou caminhando com minha amiga ganância.
E o gênio pergunta?
- Quem é a mais velha, você ou a ganância?
- Eu, disse a inveja, eu nasci primeiro.
E o gênio virou-se para a inveja e disse:
- Você pode pedir tudo o que você quiser. Entendeu? Tudo. Só que eu darei em dobro para a ganância aquilo que você pedir.
A inveja pensou, pensou, pensou e disse: - Fura um olho meu.
Muita gente perde ótimas oportunidades pela vida afora, porque ficou o tempo todo contabilizando o que o outro tem. Fica imaginando um jeito de prejudicar, explorar, de tomar, de se comparar.
O invejoso não é só invejoso! É fingido também.
Para não despertar tanta inveja nos outros, evite contar suas vitórias retumbantes, conte suas lutas diárias! O invejoso ficará mais aliviado com suas dores na sobrevivência. Há um ditado popular que diz: "Não grite sua felicidade tão alto, a inveja tem sono leve.”
Não dê relatório do seu patrimônio financeiro nem cultural, seja simples. Inveja de rico talvez seja pior do que inveja de pobre. O rico finge que não viu e sofre, porque você conseguiu o seu charme. Aí começa a esnobar, contar vantagem. Fantasia-se para o carnaval social e vai cheio de brilhos e paetês na comissão de frente! O pobre não disfarça, vê e sofre, empina o nariz, cultiva complexos. Ambos perturbam, desgastam, estressam.
Comece agora mesmo um novo jeito de viver! Nunca compare o que você tem hoje com o que o outro tem. Compare o que você tem hoje com o que você não tinha ontem.
Nunca olhe para as conquistas alheias e se esqueça das suas. Nunca finja que não viu os talentos, dons e virtudes do outro. Comece agora a treinar para elogiar o próximo vitorioso. Planeje sua vida para melhorar, pelo menos, 1% todo dia!
Tire a lupa de cima dos defeitos e erros do seu vizinho, do amigo, do colega de trabalho. Faça um balanço diário, com  avaliação de suas atitudes por onde você caminha e influencia.

Criança esperança


Liberdade

Ivone Boechat

A liberdade não é um pássaro voando no azul do infinito, sem destino, sem consciência: ser livre é ser infinito em cada destino, é saber porque e para que voar naquela direção.

A liberdade propõe autonomia e habilita a sair das cavernas para abrir os olhos e ver as próprias oportunidades. A pessoa livre não depende, compartilha, não estende a mão para receber, sem trabalhar, porque é um ser inteligente capaz de superar, avançar, aprender, produzir. A liberdade é a mãe da igualdade: ela não sustenta a pobreza, ela socorre na fome emergencial, mas ensina seus filhos a pescar.

A liberdade mobiliza, não paralisa. Ela inclui. Jamais exclui alguém pela raça, pela camada social, pela etnia, pela fé que professa, pelo pensamento político/ideológico. A liberdade põe de pé, dá energia para concorrer e vencer, chegar junto, sem deixar pessoas clamando na beira do caminho eternamente.

A liberdade não censura, não se desculpa, não discrimina, ela ensina o discurso e a postura dos iguais perante a lei e canta junto o hino cívico, sem interferência de apartheid. A liberdade é o espelho onde se mira a responsabilidade.

A liberdade é atributo do ser humano. Ela não aceita máscara, mentira, submissão, nem tem medo da verdade, porque só a verdade liberta.

Ser livre é não estar comprometido com nenhum tipo de constrangimento e nem estar carimbado por siglas que reduzem a velocidade no caminho da paz. Para ser livre há sacrifícios e não guerra!

Ser livre não é impor conceitos, filosofia, ideologia, religião, política. Ser livre é ter sabedoria para viver a verdade sem atropelar o tempo e o espaço, no limite do outro. Quem impõe não sabe o que é liberdade. Quem apoia a servidão, a escravidão, o sequestro de ideias ou se regozija com a prática de manter pessoas reféns de qualquer projeto político, tem discurso provisório e frágil de liberdade. Finge-se libertador.

  "...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que  não entenda..." Cecília Meirelles.

sábado, 16 de agosto de 2014


 Monólogo da criança

                                Ivone Boechat (autora)

Sou criança! Cheguei,
recentemente, de uma longa viagem, andei pelo caminho misterioso do pensamento dos meus pais e, durante a concepção, fiz um estágio muito feliz, ao lado do coração da minha mãe.
Estou aqui, um pouco assustada, porque os adultos conversam coisas estranhas que ainda não consegui entender. A vida é simples, bonita e colorida, por que complicam tanto? Sabe, imaginam que nós, crianças, somos incapazes, fracas e bobas.  Não é nada disto.
A gente apenas se esforça para crescer e ajudar a construir este mundo: soltar os passarinhos das gaiolas; fazer jardins para os beija-flores; salvar o azul cristalino dos rios; abrir as janelas das casas e soltar as pessoas... proteger os animais!
As pessoas crescem, ficam fortes, nos sufocam com as suas idéias, não nos deixam falar.

 Quero dizer que toda criança traz uma mensagem divina de paz.
Por favor, se você está triste, magoado, ou muito cansado, que culpa têm as crianças? Não deposite suas dores e lágrimas nesta plantinha que mal começa a brotar, ela se chama criança, para crescer e florescer feliz dê a ela fluídos magnéticos e milagrosos do Amor.


texto publicado no livro Escola Comunitária, 4a. ed. Reproarte RJ 2004

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

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